Gestão de Riscos e Compliance: Como transformar riscos em vantagens competitivas
Por Viseu Secondment
10/12/2024
Em minha trajetória como advogada especializada em compliance e gestão de riscos, aprendi que uma Política de Gestão de Riscos e um Programa de Integridade só têm impacto quando são integrados à cultura organizacional, com a liderança atuando de forma clara e responsável na sua aplicação no dia a dia da empresa.
Uma das lições mais valiosas que absorvi é que a gestão de riscos não se resume a prever cenários negativos, mas envolve a capacidade de identificar oportunidades e transformar desafios em soluções. Para que isso aconteça, é fundamental que o plano de riscos seja estruturado com três pilares principais:
✅ Responsáveis bem definidos: Clareza sobre quem supervisiona e quem executa as ações garante decisões críticas mais assertivas.
✅ Apetite ao risco: Determinar o nível de risco aceitável pela empresa, sem comprometer sua sustentabilidade, é fundamental para uma gestão equilibrada.
✅ Prazos e fluxos claros: Sem cronogramas bem estabelecidos e processos definidos, a gestão de riscos perde seu impacto. Testar fluxos em cenários simulados, por exemplo, foi um fator decisivo nos projetos em que estive envolvida.
Em relação ao programa de integridade, a conexão com a cultura organizacional é ainda mais profunda. Não basta ter políticas bem elaboradas – elas devem ser vividas no cotidiano da empresa. A diferença entre um programa de compliance eficaz e um que se limita à teoria está na sua aplicação prática. A efetividade depende de como essas políticas são compreendidas, implementadas e monitoradas dentro da estrutura corporativa. Algumas práticas essenciais para garantir isso incluem:
🔍 Treinamentos contínuos: O código de conduta só tem valor quando é constantemente ensinado e reforçado. Treinamentos dinâmicos geram engajamento genuíno entre os colaboradores, criando um ambiente de aprendizado contínuo.
📊 Indicadores de desempenho: Usar KPIs para medir o desempenho do compliance ajuda a identificar pontos de melhoria e orientar ajustes constantes, promovendo um ciclo de evolução.
🔄 Acompanhamento constante: Revisar periodicamente políticas e práticas, aliado a auditorias internas, mantém a empresa ágil, adaptando-se rapidamente aos novos desafios e oportunidades.
Com minha experiência adquirida ao atuar como secondee em projetos de compliance, pude perceber que a gestão de riscos e o compliance só funcionam quando são sistêmicos dentro da empresa e integrados à sua operação cotidiana. A aplicação prática desses conceitos vai muito além da elaboração de políticas – é sobre estabelecer uma cultura sólida e responsável, onde cada colaborador entende seu papel e contribui ativamente para a minimização de riscos e a maximização de oportunidades.
Portanto, para que esses processos se tornem verdadeiras vantagens competitivas, é preciso garantir que todas as ações estejam alinhadas com os valores da organização, criando um ciclo de melhoria contínua. Isso requer não apenas clareza nas responsabilidades, mas também a flexibilidade para adaptar as estratégias às mudanças do mercado e às novas demandas internas e externas.
Assim, os riscos deixam de ser apenas obstáculos e passam a ser ferramentas que fortalecem a empresa, possibilitando decisões mais assertivas e o alcance de resultados tangíveis e duradouros.
*Por Gabriela Rodrigues, Secondee de Compliance alocada na empresa ZF